terça-feira, 16 de maio de 2017

Um bocadinho de mim...

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Hoje trago um post muito pessoal, trago-vos um bocadinho de mim.

Há dez anos, na altura com 27 anos, engravidávamos pela primeira vez. Estreantes, fomos eufóricos à ecografia das 12 semanas, mas percebemos rápido que o médico demorava tempo demais calado a olhar para o ecrã. Entrámos inocentes com um DVD para gravar a ecografia e saímos com uma sentença de aborto. O feto tinha uma grave má formação, Anencefalia, o crânio não fechou, não havia cérebro. Foi tudo muito rápido, ecografia de confirmação na Estefânia e aborto provocado numa semana.
Estive um mês sem querer ver ninguém, só chorava. Levou dois anos até ganharmos coragem de tentar novamente.

Segunda gravidez, um stress desde o início com o receio de voltar a haver uma má formação, o Bernardo nem olhava para o ecrã da ecografia às 12 semanas. Estava tudo bem, era um saudável rapaz. Mesmo assim, o receio permaneceu até às 21 semanas, até à ecografia morfológica. Estava mesmo tudo bem. Finalmente descansámos. Não foi por muito tempo... às 28 semanas entrei em trabalho de parto e o Gustavo nasceu muito antes do tempo. Dois meses e meio internado na neonatologia do Hospital São Francisco Xavier. Durante o primeiro mês e meio não sabíamos sequer se ele ia sobreviver. E, caso sobrevivesse, se iria ter sequelas na sua vida futura. As enfermeiras e os outros pais da neonatologia passaram a ser a nossa segunda família. Aprendi a deixar de ter certezas, a deixar de fazer planos, a viver um dia de cada vez. Correu tudo bem, o Gustavo tem hoje 7 anos, é super inteligente, super energético e super saudável. Passaríamos por todo o sofrimento novamente para o ter, tudo valeu a pena.

Sou filha única e nunca quis ter só um filho. Quatro anos depois do Gustavo nascer, resolvemos ter outro filho. Um ano a tentar e lá veio a boa notícia. Desta vez, a gravidez foi acompanhada desde o início por uma obstetra perita em gravidezes difíceis. Progesterona, magnésio e repouso a partir das 25 semanas. Afinal o problema era o colo do útero, insuficiência do colo do útero, às 28 semanas o colo do útero já só tinha metade da espessura que devia ter. Desta vez, a gravidez foi até às 33 semanas. Nascia o Edgar, que precisou de estar 15 dias internado para basicamente aprender a mamar. Faz o mês que vem dois anos. Reguila, personalidade forte, lindíssimo e também saudável.

Sempre quis ter uma menina. Ter dois rapazes é maravilhoso, sou a eterna rainha da casa, com dois fãs incondicionais. Mas gostava muito de ter uma rapariga. Tenho pensado muito sobre isso, seria agora a altura ideal, mas parece-me um capricho. Tenho receio de estar a abusar da sorte. Não é mais uma gravidez de risco ou mais um prematuro que me assusta. É o poder estar a privar os meus dois filhos de atenção e de experiências e bens materiais que implica financeiramente ter um terceiro filho ou filha, sem garantia nenhuma sequer de vir uma menina. Somos tão felizes os quatro, às vezes olho para eles três e sinto-me tão abençoada. Se a vida entretanto melhorar financeiramente, quem sabe um dia pensamos nisso, mas agora tenho tudo o que preciso.

Obrigado por lerem este pequeno desabafo, um bocadinho de mim. Espero que possa ajudar alguém que tenha passado pelo mesmo ou que inspire o vosso futuro. Tudo vale a pena por eles, acreditem.



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Today I bring you a very personal post, I bring you a piece of me.

Ten years ago, at the age of 27, we became pregnant for the first time. First-timers, we were euphoric at the 12-week ultrasound scan, but we quickly realized that the doctor was taking too long looking at the screen, not saying a word. We went in with a DVD to record the ultrasound and we came out with an abortion sentence. The fetus had a severe malformation, Anencephaly, the skull didn’t close, there was no brain. It was all very fast, confirmation ultrasound and abortion provoked in a week.
I didn’t want to see anyone for a month, I just cried. It took us two years before we got the courage to try again.

Second pregnancy, a stress from the beginning with the fear of a malformation again, Bernardo didn’t even look at the ultrasound screen at 12 weeks. It was all right, he was a healthy boy. Even so, the fear remained until 21 weeks, until morphological ultrasound. It was all good. We finally rested. It wasn’t for long ... at 28 weeks I went into labor and Gustavo was born long before time. Two and a half months in the neonatology. For the first month and a half we didn’t even know if he was going to survive. And if he did, had no idea if there would be sequelae in his future life. Nurses and other parents of neonatology became our second family. I learned to stop being sure about things, to stop making plans, to live one day at a time. It went well, Gustavo is 7 years old, he is super intelligent, super energetic and super healthy. We would go through all the suffering again to have him, it was all worth it.

I'm an only child and I never wanted to have just one kid. Four years after Gustavo was born, we decided to have another child. A year to try and there came the good news. This time, pregnancy was monitored from the beginning by an obstetrician expert in difficult pregnancies. Progesterone, magnesium and resting at 25 weeks. After all, the problem was the cervix, the cervical insufficiency, at 28 weeks the cervix was only half as thick as it should have. This time, the pregnancy was up to 33 weeks. Edgar was born, needed to be hospitalized for 15 days to basically learn how to nurse. He will be two years old next month. Strong personality, beautiful and also healthy.

I always wanted to have a girl. Having two boys is wonderful, I am the eternal queen of the house, with two unconditional fans. But I really enjoyed having a girl. I've been thinking about it a lot, it would be the ideal time now, but it seems like a whim. I'm afraid I'm taking advantage of good luck. It is no longer a risky pregnancy or a premature baby that frightens me. It’s the thought of depriving my two kids of attention and experiences and material possessions that financially imply having a third son or daughter, with no guarantee even to have a girl. We are so happy, sometimes I look at them three and I feel so blessed. If life improves though financially, maybe one day we’ll think about it, but now I have everything I need.

Thanks for reading this little outburst, a piece of me. I hope it can help someone who has gone through the same or it can inspire your future. It's all worth it for them, believe me.

9 comentários:

  1. Já tinhas partilhado isso comigo... és uma guerreira e uma excelente mãe! É tão bom acompanhar a ti e aos teus pequenos <3
    Quanto à menina... eu sou a primeira a dizer para ires em frente!! Para o ano serei eu :)

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    1. Ahaha Quem sabe...Beijinhos minha linda!! <3

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  2. não deve ter sido nada fácil mas felizmente a vida abençoou te com dois meninos lindos :)
    se gostavas de ter outro filho, vai em frente se te sentires pronta para tal. se não vier uma menina não faz mal...será amado à mesma :)
    beijinhos

    Blog ChocoPink / Instagram / Facebook

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  3. Gostei de conhecer um pouco de ti. Apesar de tudo, tens dois filhos muito lindos e força trás outro!
    Menino ou menina, desde que venha com saúde é sempre o mais importante!

    Beijinhos, Pirilampos
    www.pirilamposemarte.com

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  4. First of all, I'm so sorry of this what happened to you durung the first pregnacy, but now you have wonderful sons!
    Thanks for sharing this with us.

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  5. Olá, gostei de te conhecer e com certeza vou continuar a espreitar estas rubricas.
    Beijinhos.

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  6. <3
    como sabes fui ma~e a pouco tempo pela primeira vez (em janeiro) e tambem tive muito medo pois nao tive o melhor começo possivel mas no entanto como dizes vale tao a pena :D <3 e embora eu diga q "fechou a tasca", talvez um dia queira mais um, adorava ter um menino eheheh
    vou mandar este post a minha irma pois ela ja teve dois abortos infelizmente... e continua a querer ter um filho <3

    https://rrriotdontdiet.blogspot.pt/

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